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Mostrando postagens de novembro, 2008

Teoria Ética I: A Ética Socrático–Platônica

A JUSTIÇA COMO VIRTUDE E A FORMAÇÃO DA PÓLIS Nos diálogos dos livros II e V de A República há uma unidade explicativa sobre qual é a natureza da justiça e qual a sua origem e a formação de uma pólis. Esta é idealizada por Sócrates a fim de demonstrar a viabilidade da vida em sociedade, enquanto os seus interlocutores se posicionam realisticamente. A discussão se inicia no Livro II sobre o que é a virtude da verdadeira justiça. Glauco ansioso pelo conhecimento da verdade retoma a partir das palavras de Trasímaco sobre o que se afirma ser justiça e qual a sua origem; que quem a pratica a faz por imposição e, dessa maneira, importa aparentar ser justo sem sê-lo de fato. Percebe que a essência da origem da justiça está no estabelecimento social de leis para normatizar o que se designa como legal e justo conforme regem essas próprias leis. As situações cotidianas tecem as oportunidades de os cidadãos se colocarem eticamente. A partir disso, Glauco propõe situações para serem analisadas na q...

Teoria Ética III: A Ética do Estoicismo e Epicurismo na Grécia Antiga

O EPICURISMO COMO ÉTICA EUDEMONÍSTICA Encontra-se na filosofia de Epicuro, como em todas as filosofias da Antiguidade, um propósito de uma vida ética eudemonística [1] . A amplitude e a profundidade que os assuntos tratados em A carta sobre a felicidade, destinada a Meneceu, ultrapassam os limites de seu primeiro leitor e ressoam, de alguma maneira, nas reflexões do homem que busca a felicidade. A partir deste texto se esboçará um itinerário para compreender o epicurismo como ética eudemonística. Para tal, será útil uma subdivisão simplificada da filosofia de Epicuro segundo Diógenes Laércio em canônica, física e por fim convergir em seu código ético. (FORSCHER, 2003). “Pratica e cultiva então aqueles ensinamentos que sempre te transmiti, na certeza de que eles constituem os elementos fundamentais para uma vida feliz.” Canônica é uma palavra que vem do grego kanôn, que significa aquilo que representa um meio confiável para se verificar se algo é reto, correto ou adequado. Para Epicuro...

Teoria Ética IV: S.Tomás de Aquino e a Ética Cristã

A ÉTICA EM SÃO TOMÁS DE AQUINO: DO ÚLTIMO FIM DO HOMEM À COMPREENSÃO DAS SUAS PAIXÕES E VIRTUDES [1] Com a intenção de demonstrar como a consideração do último fim [2] do homem, S. Tomás de Aquino analisa as ações humanas e explica o que se encontra no seu interior, vícios ou virtudes, na alma. Percebe-se que no volume 3, seção I, parte II da sua Suma Teológica é possível extrair sua metodologia sobre o conteúdo da ética [3] , o que para ele é a mesma vida cristã. As ações humanas, portanto, deverão está pautada na consideração do fim último da bem-aventurança, para que a partir disso os atos sejam de natureza, estrutura e dinamismo na escolha do bem e na rejeição do que é mal. DO FIM ÚLTIMO: A BEM-AVENTURANÇA Para S. Tomás de Aquino, o homem tende a um fim último e natural: a beatitude eterna no seio de Deus. Apesar disso, não desconsidera a felicidade terrena, ainda no mundo secular. Mas de outro modo não poderia deixar sê-la incompleta, imperfeita. Então, qual o princípio fundante ...